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Sexta, 11 Agosto 2017 00:00

Mapeamento dos músculos e ossos ajuda a evitar lesões

Reproduzido na íntegra em: O Globo

Poucas cidades no mundo oferecem tantas opções de terreno para treinos de corrida como o Rio. Areia, asfalto e montanha agradam a gregos e troianos. E, em cada um dos pisos, o atleta pode se expor à diferentes tipos de lesão. Para quem corre, de um modo geral, a maior prevalência está do joelho para baixo. Mas ninguém está livre de machucar o quadril ou a coluna, por exemplo. Ainda mais quando o piso é o da orla na Zona Sul.

— O desnível na ciclovia é nítido e eu já tive problemas no quadril por conta disso — conta o triatleta Genésio Ferreira, de 31 anos, acostumado a provas de Ironman 70.3, com 1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21,1 de corrida. — Corro na orla mesmo porque é mais prático. Sei do risco. Na verdade, prefiro correr na Lagoa, mas fica inviável ir para lá todos os dias.

Genésio, dono de uma loja especializada em bicicleta, corre cerca de 60 a 70 quilômetros por semana, nada 12 quilômetros, geralmente na piscina do Flamengo, e pedala outros 300, no Aterro. Aos domingos corre na pista da praia, do Leme ao Leblon, porque é fechada aos veículos.

— Correr é prático. Coloco o tênis e vou. Mas, quando comecei no triatlo, há 14 anos, foi por causa da bike. Nem sabia nadar.

Marco Zeitoune, professor de Educação Física, pesquisador de biomecânica do Instituto Brasil da Tecnologias da Saúde (IBTS) e diretor técnico da 3DGym, um estúdio de recondicionamento físico e prevenção de lesões, explica que ao correr em piso com desnível, a “distribuição” da carga do impacto é assimétrica.

— Com isso, o atleta poderá se lesionar nas articulações em que é mais fraco, seja qual for. Mas, sim, como corre inclinado, o quadril e a coluna podem sentir também — detalha Marco, que frisa que não há estudo cientifico que comprove o aumento de contusões no quadril nesses casos. — Mas, com certeza as costas vão doer.

O fisioterapeuta Gustavo Leporace, mestre e doutor em Engenharia Biomédica e diretor da Biocinética, chama a atenção para as lesões comuns nos diferentes pisos: no asfalto, onde a maioria corre, a tendência é lesionar mais a canela e o joelho. Na areia, piso instável, a sobrecarga é na panturrilha.

— As lesões na areia são mais frequentes na panturrilha pois as pessoas correm na ponta do pé e isso aumenta a demanda desse músculo — explica Gustavo.

Segundo ele, quem gosta de treino nas montanhas pode ter incidência de lesões no tornozelo. Isso porque o terreno é mais acidentado, com pedras e até raízes. Na descida, para frear, o joelho e a musculatura da coxa são mais acionados. Na subida, o quadril entra em cena.

QUANTIDADE E HISTÓRICO

 — Não quer dizer que faz mal correr no asfalto ou na areia. O que faz mal é não se preparar para o esforço — diz o fisioterapeuta.

Ele explica ainda que existem dois fatores de risco principais, de maior evidência científica, em relação às lesões. Independentemente do piso, sexo e se é alto rendimento ou recreação.

— São a quantidade de treino e o histórico de lesão. Quem já teve uma lesão está no grupo de risco. Por isso a prevenção é o mais importante. Hoje, com seis meses de treino, tem gente correndo maratona. Banalizou. E para chegar lá, é preciso aumentar a quantidade de treino, não tem jeito. E com isso, o controle das variáveis tem de ser maior.

Entre as principais contusões, o médico Leonardo Metsavaht, mestre em ortopedia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, destaca: tendinites (afetam os tendões e estruturas responsáveis para gerar força entre músculo e ossos), articulares, fraturas por estresse e as síndromes compressivas dos nervos periféricos (túnel do tarso, nos pés).

— Nenhuma delas é de gravidade fatal. Mas pode tirar a pessoa do esporte por semanas, meses e até anos — comenta Leonardo, que ressalta que, durante a corrida, a energia que passa pelas pernas, a cada passo, é sempre a mesma independentemente do piso. — O que muda são as estruturas anatômicas exigidas. No piso duro, ossos e articulações. No macio, tendões e músculos.

Segundo ele, o problema é que muito corredor mede seu desempenho pela capacidade cardiorrespiratória e não músculo-esquelético.

— Ganha-se fôlego rápido. Mas preparar articulações e tendões pode levar meses. Antes de pensar em correr, a pessoa deve conseguir caminhar forte pelo menos 7 km, uma volta na Lagoa, em menos de uma hora, sem qualquer desconforto durante ou no dia seguinte.

AVATAR

Genésio conta que, um mês após cada prova disputada, ficava machucado. Ele já lesionou pés, canelas e joelhos. E resolveu agir:

— Investi em prevenção. Fiz um mapeamento muscular e esquelético para descobrir minhas fraquezas e onde tinha de reforçar nos treinos. Não queria parar no esporte. E há dois anos não tenho mais contusões — comemora o triatleta, que em setembro disputará o Mundial 70.3, para corredores amadores, nos Estados Unidos.

Genésio não caso isolado:

— A corrida de rua é o esporte que mais cresce no país e no Rio. E infelizmente, quando o atleta não consegue correr mais, quando já tratou de tudo e ainda surgem problemas, procuram um diagnóstico detalhado — comenta o fisioterapeuta Gustavo, que tem maior clientela de corredores amadores, mas também atende profissionais, como os jogadores do Flamengo, a triatleta Fernanda Keller, o surfista Gabriel Medina, entre outros

Ele explica que esse mapeamento músculo-esquelético auxilia na localização de sobrecargas musculares ou articulares potencialmente nocivas ao corpo.

As análises de movimento, força muscular, flexibilidade, e equilíbrio, garantem precisão, assim como um ecocardiograma avalia a funcionalidade do coração, o eletroencefalograma mede a funcionalidade cerebral.

Assim, é possível montar treinos objetivos, para reforço dos locais mais demandados de acordo com a atividade física do freguês.

Esse teste é realizado com equipamentos 3D que, por meio de sensores, cria um avatar do paciente, filmado por oito câmeras.

— Não existe movimento bom ou ruim, pisada certa ou errada. É uma questão de estabelecer em qual articulação está a maior sobrecarga baseada no seu movimento, quantidade de treino e tipo de esporte. Cerca de 65% das pessoas não sabem o seu padrão de contato, se toca o chão primeiro com o calcanhar ou o antepé. E quanto maior o retropé (pisada com o calcanhar), maior demanda para o joelho. No caso do antepé é o tornozelo.

Gustavo afirma ainda que é possível fazer essa avaliação, menos precisa, de forma visual. E ensina:

— Filma com celular, em câmera lenta, o movimento inteiro, não só a da pisada. E peça uma análise qualitativa de um profissional, um treinador. Não recomendo o uso de aplicativos porque essa interpretação não é simples. Melhor isso do que nada. Se quiser análise quantitativa é preciso uma avaliação biomecânica.

 

 

Fonte: O Globo

Depoimentos

  • Paulo da Silva

    A equipe da biocinética me foi muito importante na recuperação de uma lesão de ligamento que tive ao jogar futebol. Se não fosse pelo profissionalismo deste pessoal, não sei nem se teria voltado a praticar o esporte!  Saiba Mais
  • Margareth dos Santos

    A ajuda que o pessoal da Biocinética me deu, em termos de melhoria na qualidade do meu treino, fez toda a diferença no meu desenvolvimento como atleta. Recomendo a todos que estão em busca de uma equipe séria e comprometida com a qualidade física do cliente! Saiba Mais
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